Dias Nublados


Soube em visita recente aos Estados Unidos que Hiroshima e Nagasaki não eram as cidades escolhidas para serem atingidas pela bomba atômica no final da segunda guerra. Desconheço a veracidade dos fatos porém, quem me contou disse que o responsável pela mudança no alvo fora o mau tempo. As cidades previamente escolhidas estavam encobertas pelas nuvens e como na época o foco era visual, os planos mudaram e a a bomba foi então jogada em duas outras cidades que naquele dia tinham “céu de brigadeiro”. As cidades eram Hiroshima e Nagasaki.

O dia nublado salvou alguns e deu triste destino aos outros que viviam um dia ensolarado.

Isso me fez pensar no quanto estamos suscetíveis aos acidentes climáticos. Desde furacões que destroem a Flórida até tempestades tropicais que travam o trânsito na capital paulista, há uma imensidão de eventos naturais que podem influenciar no desfecho do dia de cada um de nós.

No nosso Brasil – abençoado por Deus – estamos pouco expostos à fúria da natureza, bem diferente do Japão atingido pela bomba onde terremotos são comuns. Talvez por isso aquele povo se reerga e se reconstrua tão rápido. Sempre tenho a sensação de que nós brasileiros somos pouco gratos aos privilégios desta terra bonita por natureza e deitada em tão esplêndido berço.

Voltemos aos eus devaneios sobre a força da natureza.

Estaria previamente traçado o destino dos moradores de Hiroshima e Nagasaki?

Foram eles vítimas do mau tempo nas cidades antes escolhidas e salvas pelas nuvens?

Quantas são as armadilhas que existem por aí das quais nos livramos com a ajuda da natureza?

Do que somos salvos quando a chuva nos faz atrasar cinco minutos ou quando ela gera congestionamento e faz o sinal fechar, nos segurando por um minuto a mais no trânsito?

Milagre para uns. Triste fim para outros.

A história que desconheço ser verídica me fez pensar em quantas foram as vezes nas quais “os dias nublados” me livraram de receber “uma bomba na cabeça” e me fizera tomar consciência da total vulnerabilidade que existe em estar vivo.

Estar aqui é um milagre, eu experimentei isso bem de perto – sou boa em “ser milagre”.

Na mesma viagem, em visita ao planetário do Museu de História Natural, vi uma apresentação maravilhosa sobre o universo, o Big Bang, as galáxias… Nossa Via Láctea é um nada naquela imensidão.  E se ela é um nada eu sou o que?

Qual é o objetivo dessa coisa toda de vida, de sermos esta espécie de animal racional com capacidade operante?

Por que somos capazes do movimento em pinça com nossos polegares e indicadores que – junto a outras características – nos deixaram aptos para construir tudo isso aqui?

Olhar para a imensidão e para tudo ao que estamos expostos diariamente me levou a não reclamar mais dos dias nublados nos quais muitas vezes é mais difícil sentir-se bem.

Dizem que os dias nublados dão depressão, porém eles parecem também ter capacidade de salvar vidas.

E diante de mais este aprendizado tomo a liberdade de sugerir deixarmos de blasfemar pelo dias ruins, nublados, chuvosos.

Deixemos de xingar sozinhos dentro do carro pelos obstáculos no trânsito.

Tenhamos paciência com a fila no mercado e passemos a entender que esquecer um item em casa ao sair, a fazer com que voltemos para pega-lo, pode estar nos livrando de algo ruim.

Lá no planetário, ao observar o universo e seu movimento eu vi que tudo parece uma engrenagem, movida por uma força, uma energia perfeita e poderosa que eu chamo de Deus. Sentada na poltrona e olhando para cima eu me perguntava se eu existia mesmo dentro de tamanha imensidão.

E em meio a tantas perguntas vieram respostas, e uma delas foi me jogar sem medo àquele fluxo energético.

E assim há de ser.

Joguemo-nos ao poder de Deus pois somos pequenos demais – inclusive para reclamar dos dias nublados.

A natureza sabe o que faz.

NOTA: No próximo dia 26, das19:00 h às 22:00 h acontece o lançamento do meu livro DESEJO A TODOS UMA SEGUNDA CHANCE. Convido a todos para estarem comigo a participar desta minha imensa alegria. 

Por Viviane Cristina Battistella

psicóloga e Escritora