Pela quarta vez, nasce uma estrela


Tudo começou em 1937. A história de um astro bem-sucedido que transforma a mulher que ama em estrondoso sucesso, entra em decadência por causa do vício em álcool e drogas, enquanto ela sobe ao estrelato completo, já teve repaginações de acordo com os costumes da época. Em 1937 o par era vivido  pelas celebridades do momento,  Janet Gaynor e Fredric March, primeiro par de “Nasce Uma Estrela” (A Star is Born). O apelo emocional da história – mulher talentosa faz mais sucesso que o amante alcoólatra, que se torna decadente – veio culminar no primeiro remake, 17 anos depois. Em pleno esplendor do cinemascope e technicolor do ano de 1954, o par da hora foi Judy Garland e James Mason. Garland estava no auge de seu potencial artístico, apesar da vida sempre tumultuada que teve. Paradoxalmente, ele teve um fim semelhante ao da personagem masculina de “Nasce Uma Estrela”, pois mergulhou no inferno das drogas até morrer de uma overdose de barbitúricos, aos 47 anos. O filme foi um grande sucesso de bilheteria. Desta vez foi preciso que se passassem duas décadas até chegar a terceira versão, realizada em 1976, e com a mudança da história dos protagonistas para o universo da música pop. O casal formado 22 anos após o encontro de Garland e Mason, foi composto por Barbra Streisand e Kris Christofferson. A crítica torceu o nariz, mas o remake fez grande sucesso, principalmente embalado pela bela e romântica canção “Evergreen” , cantada por Streisand e vencedora do Oscar de Melhor Canção em 1977.

Agora, em 2018, 42 anos depois da terceira versão, chega para as novas gerações a mesma história, enquadrada dentro dos padrões atuais apreciados. Um ator de prestígio e muito sucesso, Bradley Cooper,resolveu bancar parte da produção deste atual “Nasce Uma Estrela”, ele mesmo dirigindo e atuando como o protagonista. Cooper foi buscar nada mais, nada menos, que uma das mais reluzentes estrelas da música pop dos nossos dias, Lady Gaga. Foi um grande acerto. A dupla formada tem muita química e conduz o drama com estilo e competência. Dois fatores pendem favoravelmente ao casal na avaliação do longa: Cooper demonstra grande intimidade com a música, o que é uma boa surpresa, já que ele é consagrado como um dos melhores atores de sua geração. Já Lady Gaga, popstar mundialmente famosa pela sua música e suas extravagâncias visuais, vai muito bem como atriz. Aliás, ela se despe totalmente de sua imagem para compor uma garçonete no primeiro ato, e atua com naturalidade de veterana. Somente quando ela se transforma na cantora de sucesso que o roteiro exige, a imagem da personagem cola demais na da cantora real.

“Nasce Uma Estrela” é uma surpresa bem agradável. Sua trilha é muito boa, e a música-tema,”Shallow”, linda, já desponta como fortíssima candidata ao Oscar de Melhor Canção em 2019. E desde já há grandes apostas sobre as indicações do longa para Melhor Filme, Diretor,Ator, Atriz, Trilha Sonora e, claro, canção original. “Nasce Uma Estrela” tem seu lado dramático e sombrio, mas nos leva à emoção e às lágrimas com seus belos momentos de música e romance. Sair do cinema dizendo “que lindo” não é pouco para esses nossos dias tão conturbados.

Cotação: ****MUITO BOM

CINENOTAS

– Sem dúvida, a melhor estreia da semana é o novo filme de Damien Chazelle “O Primeiro Homem” (First Man). A história é a de Neil Armstrong, a longa preparação para a viagem à Lua e a chegada,marco histórico na corrida espacial. A concentração aqui é sobre as relações humanas, mais do que sobre conquistas tecnológicas. Ryan Gosling é o protagonista, e o papel da esposa do astronauta ficou com  Claire Foy, que é a magnífica intérprete da Rainha Elizabeth II na série da Netflix “The Crown”.

– “O Primeiro Homem” já chega com grandes recomendações: a direção de Damien Chazelle e a presença dos seus técnicos consagrados em “Whiplash” e “La La Land” ( o compositor Justin Hurwitz e o montador Tom Cross).

– Estreou na quinta o longa de suspense “A Primeira Noite de Crime”,dirigido por Gerard McMurray. Enredo estranho da franquia “Noite de Crime” estabelece que, numa noite, Staten Island, onde se passa a história, fica 12 horas rigorosamente sem lei. No elenco Lex Scott Davis,o elogiado Y´lan Noel e a experiente vencedora do Oscar, Marisa Tomei. A conferir.

CINE VAGALUME

O Cine Vagalume da FCA Unicamp exibe nesta quarta-feira, dia 24, dois documentários franceses com foco no psicanalista Jacques Lacan: o primeiro, “O Encontro com Lacan”, de 51 minutos, é de 2011 e tem direção de Gérard Miller. O segundo, “Lacan: A Psicanálise Reiventada”, de 2001, tem 62 minutos e a direção é de Elizabeth Kapnist. A entrada é franca e a classificação indicativa é de 16 anos. O Cine Vagalume conta com o apoio da Secretaria de Cultura e da Câmara Municipal de Limeira.

por José Farid Zaine

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