Um monstro gosmento, mas divertido


Tom Hardy pode não ter ido muito bem quando assumiu o papel de Mel Gibson em “Mad Max: Estrada da Fúria”. Mas ele encontrou um equilíbrio interessante na composição do protagonista de “Venom”, nova aposta para grandes bilheterias da Marvel. Hardy encarna a personagem que surgiu como vilão, principalmente atormentando o Homem-Aranha.  Venom, nome da criatura, ganhou seu próprio espaço nos quadrinhos e agora tem seu filme e, pelo final, é óbvio que já ganhou continuações.
Ruben Fleisher dirige esta adaptação, ele que vem da bem-sucedida experiência com “Zumbilândia”. No filme que está em cartaz, Fleischer lida bem com o humor, o que transforma “Venom” numa aventura bem leve, com as indefectíveis cenas de ação que caracterizam o gênero. Hardy chega a um nível de ótimo aproveitamento do material que teve em mãos, um roteiro enxuto e a oportunidade dele transitar com desenvoltura pelas cenas de ação  e pelos momentos de humor. Ele encarna o jornalista Eddie Brock, que se mete numa grande confusão ao pesquisar as experiências de um cientista maluco. No caso, experiências que levam a tornar seres humanos “simbiontes” que carregam em seus corpos poderosas criaturas vindas do espaço. Brock é “possuído” por esse ser gosmento que lhe confere grandes poderes, como uma força descomunal e a capacidade de seu corpo se transformar velozmente, com a criação de tentáculos , garras, foices, escudos. Parada dura para os inimigos e para o próprio Brock, que precisa conviver com o monstro, brigar com ele o tempo todo e até estabelecer uma parceria. São esses momentos os mais divertidos.
Os efeitos visuais de “Venom” são bons, e a criatura é mais engraçada do que assustadora, com todos aqueles dentes muito esquisitos e uma língua especialmente nojenta. As cenas de ação são bem competentes. Tom Hardy carrega o elenco durante todo o filme. Aliás, um dos trunfos do longa é sua duração, mais curta que o usual para filmes desse tipo. Hardy tem um currículo considerável, e é até justa uma revisão de seus trabalhos em obras como “A Origem”, “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, “O Regresso” e “Dunkirk”.
Um dos desperdícios de “Venom” é Michelle Williams. Ela é uma excelente atriz, e aqui não há nada que justifique sua escalação. Williams tem grandes momentos no cinema, e um deles é no estupendo “Manchester à Beira-Mar”.
“Venom” está em cartaz e é uma razoável opção de entretenimento para este domingo e para a semana.
Cotação: ***BOM

Cinenotas

– Estreou na cidade o já badalado longa dirigido por Bradley Cooper “Nasce Uma Estrela”. Trata-se da quarta versão de um drama que já consagrou interpretações notáveis de Barbra Streisand e Judy Garland. A novidade é Lady Gaga, interpretando o papel que já foi defendido por divas do cinema. Cooper  vem sendo cotado para o Oscar, tanto pela direção quanto pela interpretação do protagonista. Lady Gaga também  entrou na lista das fortes candidatas ao prêmio de Melhor Atriz.
– A 42ª Edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, um dos maiores festivais do gênero em todo o mundo, já divulgou os mais de 300 filmes de mais de 50 países que comporão a mostra de 2018, que vai do dia 18 ao dia 31 de outubro na Capital.
– Entre os mais aguardados títulos programados na Mostra está o novo filme de Alfonso Cuarón, “Roma”, produção da Netflix . O longa em preto e branco do diretor mexicano já desponta também como possível ganhador de várias indicações ao Oscar 2018.
– O vencedor de Cannes 2018, o filme japonês “Assunto de Família”, também é um dos títulos confirmados para a 42ª Mostra.

por José Farid Zaine

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