Viviane Battistella lança o livro “ Desejo a todos uma segunda chance”


Foi a colunista social desta mesma Gazeta de Limeira,  Denise Ragazzo,  quem a convidou para escrever como colaboradora no suplemento Circulando, isso em 2014. Não precisou muito tempo para que a psicóloga Viviane Cristina Battistella conquistasse os leitores deste jornal. Viviane conseguiu chegar e se estabelecer entre os grandes nomes de escritores contemporâneos que, mesmo sem os conhecer pessoalmente, sentimos afinidade, como se fossemos amigos de infância. E, como todo bom escritor, ela nos prende a leitura. Cada assunto abordado em suas reflexões parte de pressupostos atuais e extrapola para novas ideias que nos permite refletir, concordar ou discordar e assim elaborar uma nova e mais articulada opinião.
“Cada um gosta de uma coisa, eu gosto de gente e de cuidar de gente”, repete Viviane quando os amigos perguntam o que a motiva escrever. E foi assim desde sempre.
Filha primogênita de Sueli e José Luis Battistella, conviveu com a deficiência chamada nistagmo congênito desde o nascimento, tendo somente 35% da visão o que, segundo ela, nunca a impediu de nada. Aluna orgulhosa do Colégio São José cujas amizades preserva até hoje, Viviane conta que era a “nerd” da classe. “Sempre aprendi tudo muito fácil, não tenho problema em estudar. Saí do magistério entrei direto (e muito bem colocada, gaba-se) em psicologia na PUCCAMP e me formei  sendo a juramentista da turma. Emendei duas pós-graduações sendo uma em psicologia comportamental. Eu sempre me dei bem em ciências humanas”, conta a escritora.
A paixão por escrever veio através da curiosidade da leitura. “Quando criança, eu ia a casa da minha avó Cida e me entretida lendo o Manual do Escoteiro Mirim. Depois lí toda coleção vagalume e fui me interessando por livros. Li Simone de Beauvoir, Agatha Christie, Oscar Wilde, Kiev Tolstói e aos 17 As Brumas de Avalon que conta a história do rei Arthur pela visão feminina. Até hoje não consigo parar de ler e leio de tudo. Não sou do tipo de achar que somente Nietzsche serve como referência, precisamos também de leveza e ficção”. 
Começou a escrever em diários, depois ajudava as amigas a escrever cartões para os namorados. “Me lembro que existiam aqueles cartões do Garfield, sempre que uma amiga precisava mandar para o paquera eu ajudava escrever”. Até que um dia decidiu montar um blog. “Nunca fiz curso de redação, o que eu sei, aprendi praticando e sendo orientada pelo meu amigo de infância, o professor Marcel Camargo”. De lá, foi chamada para escrever em outros blogues como o Mulherices, Obvious e o Segredo até passar a escrever semanalmente para a Gazeta. “A repercussão positiva do meu trabalho no jornal me fez deixar de escrever para os sites. Acho que me cansei um pouco de ver a forma como a internet vem sendo utilizada”, conta.
Nos bastidores da amizade, a doença e o livro 
Quando decidimos incorporar o Circulando nas páginas do Jornal da Mulher, o contato com a Viviane passou a ser semanal. Se, na escola ela era a “nerd” da turma, no jornal onde seus artigos chegam a milhares de leitores semanalmente a responsabilidade dobrou. Organizada quase ansiosa, detalhista, preocupada em não errar e muito exigente. Uma mulher que as vezes senta em um café para se inspirar em temas, ou escreve mentalmente um artigo enquanto faz  compra no supermercado. Compartilha conosco sua indignação sobre abusos, temas polêmicos e não são raras as vezes que, em pleno domingo a noite, recebo sua mensagem de voz dizendo “ah Fá, eu tenho que escrever sobre isso”. Na maioria das vezes respondo sorrindo: lá vem a “treteira” de novo!
Diagnosticada com câncer, optou por continuar escrevendo sem contar nada para não preocupar ninguém. Nem mesmo eu, responsável por publicar sua coluna, sabia. Até que um dia, por esses acasos que uns chamam de destino e eu de Deus, a vejo sentada na praça de Serra Negra, no Café Boteco, já totalmente sem os longos cabelos loiros que foram perdidos nas sessões de quimioterapia. Naquela tarde, percebi o quanto que minha amiga escritora sabia de todos nós e quão pouco eu saberia sobre ela, sobre toda a sua força em lutar apoiada no infinito amor que sente por sua família e pela fé em Nossa Senhora Aparecida. “Eu tenho um filho que ainda precisa de mim, não está na hora de partir”, me disse.
Guardei esse segredo ainda por algumas semanas até que por mensagem ela me perguntou qual seria minha opinião em contar ou não sobre a doença. Nem uma hora depois, abro o Facebook e lá está ela, exibindo sua careca linda, com um texto maravilhoso, bem a sua cara: aberta a discussões. 
Quando, nos piores momentos da doença me pediu para parar de escrever, tentou formalizar uma data para voltar mas, no fundo sabiamos o que aconteceria. Ela voltaria mais cedo e escreveria ainda melhor porque essa mágica que se forma quando a união das palavras costura um texto, é também o combustível que a impulsiona para seguir em frente. E foi assim.
No dia que soube que estava curada, gritou mais que o Galvão Bueno em final de Copa do Mundo. ACABOU. Para lavar a alma, redigiu um de seus melhores textos, “O câncer me curou” e de lá pra cá vem emendando, semana a semana, uma nova vida.
Eu, esperei um longo ano para escrever esse artigo. Gostaria que como eu, você leitor deste Jornal da Mulher, tivesse essa chance de conhecer essa “nossa” amiga de tantos domingos. 
Tive o privilégio de poder selecionar os textos para este seu primeiro livro. O professor Marcel fez a correção. Faltava o título. Toda semana ela se queixa da mesma forma: “sou péssima em título”. E, na hora em que ela mais precisou, o melhor deles apareceu. Não pelo rebuscamento nem pelo apelo comercial da frase, mas porque é isso que Viviane tem por dentro e por fora, amor. “Desejo a todos uma Segunda Chance”, que será lançado dia 26 de Outubro, das 19 às 22 horas, no Espaço Engep é não somente uma coletânea das melhores crônicas da escritora, mas, uma oportunidade de, através de seus textos, refletirmos sobre a vida e toda sua brevidade.
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SERVIÇO
Livro: Desejo a todos uma segunda chance
Autor: Viviane Cristina Battistella
Lançamento do livro : Dia 26 de Outubro, sexta-feira
Horário: Das 19 às 22h
Local : Espaço Engep no Largo da Boa Morte